17 junho 2005

YES, nós temos família!

Yes, nós temos família!
Como constituímos uma família fora dos padrões convencionais?

escrito por Fabio filho no site http://www.angelajackson.net/ponto03.asp

Antes de começar este arquivo, tentarei fazer uma breve resenha sobre o termo família. Para me manter neutro usarei apenas o ponto de vista antropológico, tentando não cair em crenças e opiniões pessoais. O conceito comumente aceito transcende o de parentesco (casal e filhos). Deduz-se daí (e não precisa ser nenhum estudioso no assunto) que noções de família e parentesco não são as mesmas em todas as sociedades. Divergem profundamente, por exemplo, os conceitos de paternidade e maternidade dos indígenas e os da sociedade atual.

Família e parentesco constituem conjuntos de relações sociais mais que biológicas. De um modo geral, definimos família como um grupo social que tem residência comum, que coopera economicamente entre si, e que se reproduz. Pesquisando sobre o tema, em todas as fontes observadas, “família ainda se traduz como homem, mulher e filhos”. Então como definir os casais do mesmo sexo, que mantêm uma relação estável há anos? E aqueles que se afastaram de suas famílias biológicas por intolerância de seus pais, estão fardados a se sentirem sós no mundo? Nós sabemos que não!

Se sua família aceita você e seu parceiro no convívio social, ótimo, mas sabemos que na verdade ainda é pequeno o número de situações como essa, e disso provem esta nova família que ainda (infelizmente) não se encontra definida nos livros de sociologia. Se não está entendendo onde estou querendo chegar vamos pegar novamente a definição de família citada acima: “grupo social que tem residência comum, que coopera economicamente entre si, e que se reproduz”. Tirando a parte da reprodução automaticamente qualquer pessoa que viva com você, que coopera economicamente e que está incluído no seu grupo social será sua família. Com isso temos um número imenso de famílias que acabaram de se constituir. Primeiramente aquele amigo com quem você dividiu a primeira kitnet, e depois aquele grupo de amigos que dividiram um ap com mais quartos. Se não estou ficando louco isso para mim é uma família, só faltando a proliferação da espécie.

Não querendo entrar no tema casamento homossexual, o que dizer dos inúmeros casais do mesmo sexo que seguem uma união estável, com amigos próximos que participam do mesmo grupo social (gays ou não, pois não podemos esquecer que mesmo não sendo regra é crescente o número de pessoas heteras que apóiam a união entre pessoas do mesmo sexo e que não mais excluem o casal homo de seu convívio ou do convívio de sua família. Afinal não podemos esquecer que no início de definição de família aqui citado vem a expressão grupo social e, por mais que alguns dizem que não se importam, o reconhecimento da sociedade ainda é um fator pelo qual lutamos e levantamos bandeiras)? Tratando-se das lésbicas então a definição de família fica definitivamente completa, pois é inúmero o caso de mulheres que cuidam de seus filhos (legítimos, com o antigo parceiro, com um amigo, enfim...) acompanhadas de suas parceiras e não deixam nada a desejar no que se diz respeito à educação e princípios morais.

As Paradas do Orgulho Gay deste ano tem como tema família. Não sei como vão abordar o tema, mas sei que há muito tempo nós já temos a definição de família:
Famílias são as pessoas das quais gostamos, que nos importamos e que se importam conosco, sem se importarem com quem gostamos de nos relacionar, que aceitam nossas opiniões e reconhecem nossas luta para um mundo sem preconceito. Família não precisa de definição em livros de sociologia. Cada um tem a sua, cada um escolhe quem faz parte dela ou não. A própria justiça já deu um grande passo para este reconhecimento (apesar das partes envolvidas terem que enfrentar a já tão conhecida burocracia brasileira) reconhecendo o direito de pensão a parceiros de contribuintes homossexuais. Grandes empresas também já reconhecem esta união no que se diz respeito a benefícios empresariais e o governo brasileiro parece está no caminho certo. Nos resta observar e não deixar que passos tão importantes sejam esquecidos. Saber quem nós somos é imprescindível na luta contra a homofobia, o preconceito e a intolerância.


Fábio Filho
fnsil@terra.com.br



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