13 janeiro 2006

Brasil, campeão mundial em crimes de homofobia

IGUALDADE DE DIREITOS
Brasil, campeão mundial em crimes de homofobia
Tatiana Merlino
da Redação

Enquanto o movimento GLBTS (Gays, Lésbicas,
Bissexuais, Transgêneros) pressiona o Congresso para a
aprovação de uma lei federal que assegure os direitos
das minorias sexuais, a cada ano aumenta o número de
gays assassinados no país.
De acordo com o antropólogo Luiz Mott, o Brasil é o
campeão mundial em crimes de homofobia. Nos últimos 25
anos, foram contabilizados 2.600 assassinatos de gays,
lésbicas e travestis no Brasil, segundo levantamento
do Grupo Gay da Bahia, organização da qual Mott é
fundador. “Isso signifi ca que há mais de cem
assassinatos por ano”, explica o militante. Pelo
estudo da organização, foram 169 mortes em 2004 contra
125 registradas em 2003. “O número dos crimes de
homofobia vem aumentando, apesar de hoje termos 140
grupos homossexuais em todo o país”, denuncia.
A homofobia ainda é responsável por atitudes e
comportamentos documentados na pesquisa Juventudes e
Sexualidades, realizada pela Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
em 14 capitais brasileiras em 2000. Participaram do
estudo 16.422 alunos, 3.099 educadores e 4.532 pais e
mães de alunos de 241 escolas. Os resultados
preocupam: 27% dos alunos não gostariam de ter
homossexuais como colegas de classe; 35% dos pais e
mães de alunos não gostariam que seus filhos tivessem
homossexuais como colegas de classe e; 15% dos alunos
consideram a homossexualidade uma doença.

CORTE DE CLASSE
A vivência da homossexualidade fica ainda mais difícil
para as camadas pobres da sociedade. Enquanto os
homossexuais que têm maior poder aquisitivo são
aceitos mais facilmente, pois são “consumidores”, aos
pobres resta a “dupla discriminação”, afi rma Nelson
Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do
Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros
de São Paulo (APOGLBT-SP). “Queremos ser reconhecidos
como cidadãos, e não apenas como consumidores”,
ressalta Pereira, ao lembrar que até os crimes de
homofobia cometidos contra pessoas “da classe
dominante têm um tratamento diferenciado”. Segundo
ele, “assim como o negro rico é menos vítima do
racismo do que o negro pobre, o mesmo acontece com os
gays, lésbicas, travestis e transexuais”.

Fonte:BrasildeFato
Edição Nº 150 - De 11 a 18 de janeiro de 2006



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