03 janeiro 2006

CLAUDIA destaca GPH

Revista CLAUDIA deste mês publica uma interessante matéria sobre os adolescentes gays e a maneira como mães e pais enfrentam a questão, com vários depoimentos, o destaque fica por conta do depoimento da fundadora do GPH- Grupo de Pais de Homossexuais, Edith Lopes Modesto:
.

"Hoje eu sei que, desde cedo, os homossexuais se percebem diferentes e aprendem que são considerados inadequados. As pessoas, injustamente, os vêem como anormais. E eles têm de esconder a homossexualidade dos colegas, do vizinho e, principalmente, de seus pais! Vivendo esse conflito,se fecham em si mesmos.
Eles têm poucos amigos e, sobretudo, não têm quem os oriente. Qualquer criança, qualquer jovem, quando sofre, procura a mãe: Mamãe, fulano me chamou de tampinha...de gorducha... de quatro-olhos..." Os nossos filhos homossexuais, quando ofendidos, ao contrário, tendem a se retrair, não denunciando nem procurando ajuda, pois sabem que a sociedade discrimina o diferente. E sofrem calados, sem poder se dar ao direito da proteção materna. Ficam sós, jogados à própria sorte, lutando em segredo contra o seu autopreconceito e contra o preconceito social.
E, assim, provavelmente, aconteceu com o meu filho caçula. E eu? Onde estava eu, a mãe que deveria dar-lhe carinho, apoio, deveria protegê-lo dos perigos, do sofrimento?Como todas as mães, antes de ele nascer, preparei um enxoval azul quando soube que ia ter um menino. Mais tarde, fiquei feliz ao perceber que ele era bonito e inteligente e esperava que ele arrumasse uma namorada, se casasse e nos desse netinhos. Eu percebi, sim, que na adolescência esse filho tornou-se um garoto triste, calado, distante, mas sempre arrumei uma desculpa para isso.
Nem me passou pela cabeça que ele pudesse ser gay.Gay? Na verdade, eu não tinha a mínima idéia do que é ser gay. Um dia, estranhando o seu jeito fechado e o fato de nunca ter namorada, eu lhe perguntei se não gostava de mulheres. E o meu mundo caiu, quando, chorando, ele me disse que era gay.
A descoberta da homossexualidade de um filho quase sempre é uma tragédia para os pais. Para nós também foi como se aquele filho querido desse lugar a um outro, estranho, desconhecido... Passei por um processo lento de aquisição de conhecimento e aceitação. Fiquei brava, inconformada, triste, desesperada, senti medo, vergonha... E me senti muito só. Não tinha com quem conversar. Qualquer semelhança com o que meu filho certamente sentiu não foi mera coincidência. Os pais, como seus filhos, também passam por um processo de aceitação, também têm de sair do armário e também precisam de apoio. Um apoio que seu filho/a homossexual dificilmente tem condição de lhes dar.
Na época, o meu maior desejo era conversar com outra mãe como eu. Trocar idéias, sentimentos, desabafar... Mas não consegui encontrar nenhuma! Poucos anos depois, fundei o GPH - Grupo de Pais de Homossexuais - para que os pais pudessem se encontrar.Hoje somos 25 pais no grupo. Conversamos entre iguais, trocamos informações,nos ajudamos mutuamente nos momentos de desalento e nos sentimos fortalecidos, principalmente porque sabemos que, com o nosso apoio, nossos filhos se sentirão mais seguros e felizes".

Parabéns Edith, Parabéns GPH, por este importante destaque e por seu trabalho de ajuda a tantos pais e filhos homossexuais.
Para maiores informações sobre o GPH você encontra um link em nossa lista de favoritos á esquerda.

Se você clicar no titulo deste pot você terá acesso ao site da Revista Claudia, mas o acesso a matéria na Integra é reservado a assinantes.