ENTREVISTA COM A DEPUTADA IARA BERNARDI
A Deputada Federal Iara Bernardi 1310 (PT/SP) é Coordenadora da Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual e tem hoje seu Projeto de Lei - PL 5003/2001 que trata da criminalização da homofobia pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados. Ela é candidata a reeleição para seu terceiro mandato. Mais informações sobre a Deputada podem ser obtidas no site www.iara1310.can.br ou na comunidade do ORKUT www.orkut.com/Community.aspx?cmm=17473487
Que chances o PL 5003/2001 tem de ser aprovado? Ele será votado ainda em 2006?
Estamos trabalhando para isso e esperamos que sim. Após a aprovação, por unanimidade, do substitutivo do Deputado Luciano Zica (PT-SP) na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania da Câmara, avançamos bastante neste debate. Homofobia é crime foi temas das Paradas GLBT por todo o país e os deputad@s e senador@s que compõem a Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual com dedicação em defesa deste projeto, juntamente com o movimento GLBT, em todo o Brasil. Já aprovamos as MP Medidas Provisórias que trancavam a pauta. Espero que no inicio de outubro possamos aprovar esse importante projeto, uma vez que o mesmo está na pauta do dia.
O que mudará no país com a aprovação desta lei?
A discriminação pela orientação sexual e de gênero passará a ser um crime previsto tanto o Código Penal como na Lei das Discriminações (conhecida como a Lei do Racismo) e na CLT. Esta Lei trará para a sociedade a necessidade de respeitar, sobretudo, as diversidades existentes, a exemplo do que hoje já acontece com as mulheres, as crianças e adolescentes, os portadores de necessidades especiais, os idosos e os negros. A sociedade engrandecerá.
Como a senhora avalia a atuação da Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual FPMLES ?
Estamos tendo resultados bastante positivos provenientes da atuação da Frente. Temos trabalhado para contornar as dificuldades existentes no Parlamento. A criação da Frente, a articulação com nossos pares, a rejeição de projetos preconceituosos são provas do nosso empenho. Temos assessorias antenadas com os desejos trazidos aos nossos gabinetes. Procuramos ouvir a todos, contemplando os vários anseios do movimento. Porém não podemos esquecer que a nossa sociedade, em sua grande maioria, é conservadora e que resiste aos avanços. Temos que pensar que os direitos homossexuais não podem ser considerados uma concessão. São direitos humanos e devem, sobretudo, ser respeitados.
Quantos parlamentares participam hoje da FPMLES?
Atualmente, a FPMLES é composta por 95 parlamentares, entre deputad@s e senador@s. Na fundação, em outubro de 2003, a Frente era composta por 53 parlamentares. Sabemos que existem, nas duas Casas,ara Bernardi: rente consegui a
Livre Express mais parlamentares apoiadores das demandas da comunidade homossexual, mas que por vários motivos preferem não expor seus nomes em uma lista pública.
Livre Express mais parlamentares apoiadores das demandas da comunidade homossexual, mas que por vários motivos preferem não expor seus nomes em uma lista pública.
O que falta para o Brasil ser reconhecido como um país que respeita os direitos de gays e lésbicas?
Faltam muitas coisas. Desde a aprovação de leis anti-discriminatórias, que garantam direitos, até as resoluções da ONU, que retomará suas articulações em abril. Faltam ações práticas, campanhas, políticas públicas e ações de governo. A verdadeira mudança se dará com a abertura de corações e mentes.
Qual a importância da parceria entre governo e entidades da sociedade civil nesse caso? Tem resultado em avanços significativos?
Esta parceria é muito importante, já que a atuação da FPMLES e do Congresso Nacional deve atender às demandas vindas da sociedade civil. A própria criação da Frente Parlamentar Mista pela Livre Expressão Sexual foi um anseio das entidades do movimento GLBT, que viram a necessidade de organização dos parlamentares para que pudéssemos dar seqüência à tramitação dos PLs considerados prioritários.
O que é necessário para o fim/diminuição da homofobia no Brasil?
Felizmente, tivemos um avanço nesta questão nos últimos anos. O Governo Lula desenvolveu o Programa Brasil sem Homofobia, uma ação afirmativa de combate à violência e preconceito por orientação sexual e identidade de gênero. A atuação da Frente, encaminhado para votação em Plenário projetos de combate à homofobia como o PL 5003/2001 também é extremamente importante. Para melhorarmos ainda mais o combate à homofobia no Brasil, precisamos da parceria e maior envolvimento das polícias, Prefeituras, Governos de Estado e população de forma geral nesta questão, cobrando, principalmente, a punição daqueles que ainda agem de forma homofóbica.
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