31 janeiro 2007

Lésbicas podem educar filhos com plena eficiência

Lésbicas podem educar filhos com plena eficiência
Maior dificuldade está em revelar homossexualidade aos filhos

http://www1.uol.com.br/vyaestelar/mulher_atual.htm

Por Valéria Meirelles

Depois do último artigo sobre o amor entre
mulheres, muitos leitores escreveram interessados em saber como ficam a
família e os filhos nas questões de orientação
sexual, educação e preconceitos quando duas
mulheres optam pela maternidade. Por isso, este
espaço vai esclarecer ainda mais esse assunto.

Existem pouquíssimas pesquisas brasileiras na
área de Psicologia que abordam o tema -
diferentemente dos países da Europa, Canadá e
Estados Unidos. Mas é possível encontrar sites
que relatam estudos da área, narram histórias,
coletam fatos históricos e promovem discussões
sobre a homossexualidade, como por exemplo o
www.swade.net/lesbian/tribal_chant/les_hist.html
.

A família é o lugar onde as pessoas devem
aprender a cuidar e serem cuidadas com muito
amor e respeito. Também é onde há confiança e
acolhimento, nas horas difíceis e nas horas
boas. Família é o lugar do crescimento. Claro
que, nem sempre tudo isso ocorre, por razões
diversas, mas o conceito que envolve a família é
a idéia da união de seus membros, a qual num
primeiro momento é pela consangüinidade e depois
acontece pelo afeto e laços de parentesco.

Cada sociedade tem sua forma de definir e
entender a família. A maioria delas possui
basicamente dois modelos distintos: o
tradicional, composto por um homem e uma mulher
casados em primeira união, com dois ou três
filhos, e o não-tradicional - atualmente muito
mais comum - que envolve os re-casamentos,
uniões homossexuais, famílias chefiadas apenas
por mulheres, famílias unipessoais, entre
outros.

'Família de escolha'


Como muitas vezes os homossexuais sofrem
preconceitos da família de origem, a comunidade
homossexual criou, para suprir essa ausência, o
termo "família de escolha" - uma rede social de
apoio formada por amigos, ex-parceiros e até
membros da família biológica, todos ligados por
vínculos afetivos.

Entende-se por famílias homossexuais, aquelas
compostas por duas pessoas do mesmo sexo com um
ou mais filhos. De acordo com informações da
Coordenação Nacional de DST e Aids do governo
brasileiro, as lésbicas são mais propensas a
terem filhos do que os homens. Isso porque podem
contar com inseminação artificial para
engravidarem, além da opção da adoção, que tem
na desembargadora gaúcha Maria Berenice Dias uma
de suas principais defensoras.

Mais freqüente ainda são crianças vivendo com
casais de lésbicas devido à separação conjugal,
quando uma das mulheres já possuía filhos de uma
união heterossexual e ficou com a guarda deles.
Isso ocorre porque grande parte das mães
lésbicas acaba se percebendo e se assumindo ao
sair de uma relação heterossexual.

Sobre a preocupação da sociedade com os cuidados
da criança, segundo a psicóloga e terapeuta
familiar Maria Regina Castanho França, "as
pesquisas têm mostrado que pais gays e lésbicas
cuidam eficientemente de seus filhos e que as
crianças não sofrem danos por serem criadas em
famílias homossexuais, sendo que as maiores
dificuldades estão relacionadas ao momento da
revelação sobre a homossexualidade".

Esse trecho comprova resultados das pesquisas
realizadas na Europa e nos Estados Unidos, os
quais mostram que crianças de famílias
homossexuais não diferem das crianças de
famílias heterossexuais quanto à identidade de
gênero e orientação sexual, o que acaba com a
crença de que os pais homossexuais podem
incentivar que seus filhos também o sejam.

Em artigo publicado no Developmental Psychology,
os autores Flaks, Ficher, Masterpasqua e Joseph
explicam que não há diferenças quanto ao
funcionamento intelectual e ao ajustamento do
comportamento entre crianças de famílias
heterossexuais e de famílias lésbicas com filhos
gerados por inseminação artificial.

Gershon, Tschmann e Jemerin relataram uma
pesquisa no Journal of Adolescent Health, na
qual investigaram o enfrentamento, a descoberta
e a auto-estima de adolescentes filhos de mães
lésbicas e concluíram que os adolescentes que
revelavam mais sobre a orientação sexual de suas
mães tinham maior auto-estima do que aqueles que
revelavam menos. Concluiu-se que a habilidade
das mães em enfrentar e lidar com os
preconceitos se reflete diretamente na auto-
estima dos filhos.

Por que homossexuais temem em revelar
homossexualidade aos filhos?

Porém, uma das grandes dificuldades das mães
lésbicas e dos pais gays é revelar aos filhos
sua homossexualidade. Para Maria Regina Castanho
França, "revelar a homossexualidade para os
filhos é provavelmente a mais temida e mais
desejada tarefa a ser enfrentada por mães e pais
homossexuais, provocando imenso temor sobre a
perda do amor e respeito". Por isso, terapeutas
e pesquisadores do assunto recomendam que a
verdade seja dita antes da entrada na
adolescência, período de muitos conflitos aos
jovens.

Fabiana Noda, psicóloga - e uma das poucas
estudiosas sobre o assunto no Brasil - mostra
que no exterior há inúmeras publicações voltadas
às crianças para explicar os novos conceitos de
família, para celebrar a diversidade dos
arranjos familiares e para mostrar alguns
questionamentos dos filhos de mães homossexuais.
Ou seja, existe uma literatura que reflete a
família em que essas crianças vivem.

Há ainda sites com o mesmo intuito, específicos
para pais e mães homossexuais, como por exemplo
o www.proudparenting.com e o www.colage.org
feitos para e por filhos de mães e pais
homossexuais que têm como objetivo informar e
ampliar a comunicação entre filhos de lésbicas,
gays e transexuais. Segundo Fabiana, o único
site brasileiro sobre o assunto entrou no ar em
fevereiro deste ano e teve grande repercussão,
mas atualmente está fechado para reformulação e
mudança de endereço.

Todos esses canais existentes confirmam a
importância do suporte às famílias homossexuais,
pois conforme explica Fabiana Noda "a decisão
por ser uma mãe homossexual é recente e pouco
discutida no país".

E foi exclusivamente para essas mães que as
autoras Clunis e Green escreveram um livro
baseado em experiências próprias, de amigos e
pesquisas: "The lesbian parenting book: A guide
to creating families and raising children" (cuja
tradução ao pé da letra é "O livro das mães
lésbicas: um guia para criar famílias e educar
crianças"). As autoras concluíram após intensa
pesquisa, que a vida de uma família homossexual
tem muito em comum com qualquer outra família,
tendo como diferenciais momentos como o da
revelação, do preconceito e de eventuais
segredos - situações que não invalidam a
transmissão de valores para as gerações futuras.

Portanto, está mais que na hora da sociedade
reinventar o conceito de família, compreendendo
que o mais importante é o sentimento de
pertencer, o afeto que une as pessoas mais que a
própria biologia. Aceitar as famílias
homossexuais é dar provas de que o mundo não
precisa ter exclusão de partes, seja de homens,
mulheres, crianças ou adolescentes. Aceitar é
construir um mundo mais humano que possa
celebrar a poesia da vida: diversidade sem
desigualdade.



Valéria Meirelles é psicóloga, psicoterapeuta e
Mestre em Psicologia Clínica

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Boa tarde
Gostaria de saber se o telefone de voces mudou, estou tentando entrar em contato enão consigo. Estou ligando no 25567552
Aguardo resposta, meu email é: brunellacarla@gmail.com

7/2/07 2:46 PM  
Anonymous Anônimo said...

buy carisoprodol, buy fioricet, buy paxil online, buy generic cialis
Maybe it's will help somebody

2/4/07 4:52 AM  
Anonymous Anônimo said...

I will not acquiesce in on it. I regard as precise post. Specially the designation attracted me to study the sound story.

16/1/10 8:05 AM  
Blogger planner said...

Parabéns a Valéria Meirelles, muito interessante o artigo. E gostaria de salientar também que além das famílias compostas por dois homens ou duas mulheres e seus respectivos filhos, também existem famílias compostas por um homem e uma mulher ambos homossexuais. Tenho um amigo (gay) que vive junto com uma amiga (lésbica) que geraram através de F.I.V. duas meninas lindas e todos vivem muito felizes. E eu ainda não constituí a minha família dessa forma porque ainda não encontrei uma candidata a mamãe. E aproveito a oportunidade pra deixar isso em aberto, no caso de alguma interessada é só entrar em contato: cpimagemdigital@hotmail.com

30/10/10 10:53 PM  

Postar um comentário

<< Home