17 maio 2007

Respeito às diferenças

Respeito às diferenças
 
Há exatos cinco anos, quando eu ainda estava às voltas com minha formação como jornalista na PUC-SP, uma capa da revista-laborató rio "Esquinas de S.P.", da "concorrente" Faculdade Cásper Líbero, ganhava os holofotes das universidades e da imprensa profissional.
 
por João Marinho
jornalista
 
Abordando o tema da intolerância, "Esquinas" trazia uma capa provocativa: um casal gay, formado por um branco e um negro, beijando-se. Nas orelhas de cada homem, brincos nos formatos de uma cruz e da estrela de Davi. "Maravilhosa", pensei.
A polêmica, porém, não tardou. O diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo à época, Sérgio Kobayashi, achou-a de "mau gosto" e se recusou a imprimir a revista, sempre rodada em suas máquinas. A sorte foi que Prefeitura da capital bancou a impressão.
Houve quem considerasse Kobayashi intolerante: para os alunos que editaram o "Esquinas", sua posição foi equivalente a censura, segundo informou, à época, o "Observatório da Imprensa".
A pergunta que me fiz ao ler essa notícia ainda ronda a cabeça: o que é que foi de mau gosto? Sempre me pareceu que "mau gosto" é aceitarmos as manifestações de intolerância, como se isso fosse um "direito" das pessoas.
 

Tolerância e intolerância

Quando falamos de minorias e discriminação, o conceito de intolerância é consenso, auto-evidente, dispensa explicações – e deve ser substituído. Aí, vem a pergunta: seria a tolerância a contrapartida da intolerância?
O "Esquinas de S.P.", na voz de seus entrevistados, dizia que não. "Tolerância" dá a idéia de algo que se suporta, por "não haver outro jeito", e não de algo com que se convive em respeito às diferenças e à alteridade. Por isso, a contrapartida da intolerância é precisamente, o respeito às diferenças.
No entanto, será que esse respeito é válido para todos, em qualquer situação? Alguém francamente intolerante pode agir livremente como tal sob o argumento do "respeito às diferenças"?
 

Troca-troca social

Eu penso que não – e por um motivo simples. Entendo que esse respeito é algo que necessariamente se realiza em correspondência, em retroalimentaçã o, em via dupla.
Por exemplo, se temos um segmento social formado por dois grupos e um deles respeita as diferenças do outro, somente se o outro tiver a mesma atitude em relação ao primeiro é que, do ponto de vista do segmento como um todo, o respeito vai realmente se estabelecer, trazendo consigo os benefícios de uma convivência harmoniosa.
É também somente nessa situação que cada grupo, individualmente, poderá exigir o respeito do outro: porque ele mesmo está disposto a respeitar.
O problema com os intolerantes é que eles não atendem a esses requisitos. O intolerante quer ser "respeitado" em suas posições – mas não respeita os demais grupos exatamente por causa delas.
Não há contrapartida, não há correspondência, não há retroalimentaçã o. O respeito, em relação ao todo, não se dissemina, não se realiza, não leva a sociedade, ou o segmento que seja, à convivência harmoniosa.
Pelo contrário, o "respeito" ao grupo intolerante levará a uma erosão das relações, pois ele se sentirá livre para atacar e tentar destruir o outro grupo, empurrando aquele segmento, ou a sociedade, numa direção diametralmente oposta à defendida pelo conceito de respeito às diferenças. Não, não faz sentido ser "tolerante com os intolerantes" . Afinal, respeito é bom, todo mundo gosta e todo mundo deve dar.

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