27 agosto 2007

Mãe só há duas

Mães só há duas
 
  
 
Esse é o título escrito por duas lésbicas feministas, Cristina Garaizábal e Empar Pineda, publicado em um periódico na Espanha, há alguns anos. Refere-se a um casal de lésbicas, Maria e Ana, de Donostia, que tiveram um filho através da inseminação artificial de uma delas. Sobre o assunto, jornalistas, juízes, psicólogos, advogados, gente abordada em plena rua...todas têm opinado. A maioria das opiniões é favorável, o que demonstra que vem ganhando terreno a consideração de normalidade das lésbicas.
Vejamos alguns trechos do artigo:

A optar pela inseminação artificial, Maria e Ana escolheram uma das possibilidades que estão ao alcance das lésbicas que querem ser mães. Outros caminhos são adoção, a fecundação in vitro e obviamente ter relação sexual com algum homem. Assim, por qualquer destes procedimentos uma lésbica pode ser mãe e reconhecer legalmente uma filha ou filho. A coisa se complica quando se trata de um casal de lésbicas. E se complica de tal maneira que não é legalmente possível que ambas figurem como mães de uma criança, seja qual for a forma escolhida para tê-la. O que é legalmente possível para uma lésbica está proibido quando se trata de duas. As normas sobre filiação excluem que casais de lésbicas e gays possam figurar legalmente como mães e pais. A criança só pode ser registrada como "de mulher sozinha" (mãe solteira, como no conceito popular). Este é o caso de Maria: no registro do bebê, Ana não figura nem figurará no futuro.
Coisa que não acorreria se se tratasse de um casal heterossexual de fato (não casados nem no civil nem na igreja), a estes sendo reconhecida legalmente tal possibilidade. Isso que parece um pequeno detalhe formal tem profundas conseqüências futuras. Significa que, depois de a criança ser criada entre duas mulheres, depois de ambas ter compartilhado tudo o que se refere à criança, se é mãe biológica, no caso Maria, falecer, ou se decidirem separar-se, Ana não terá nenhum direito reconhecido sobre a criança e a verá desaparecer de sua vida sem poder reclamá-la legalmente.
O argumento das autoridades é que: "priva-se a criança o direito à figura paterna, ao modelo masculino, imprescindível para que seu desenvolvimento seja normal". Ou ainda: "A criança viverá em um ambiente familiar que repugna abertamente o varão" ou "corre-se o risco de acabar sendo homossexual".
Todas essas frases demonstram profundo preconceito. Imaginam que lésbicas repugnam homens, a ponto de que nem sequer fazer parte de seu mundo de relações sociais. Por outro lado, como se explica que as imensas maiorias de lésbicas e gays tenham sido criados em famílias formadas por casais heterossexuais?
Porém, vejamos um dos aspectos que mais polêmica tem criado: a ausência da figura paterna e suas possíveis conseqüência para estruturação da personalidade da criança. Isso que se afirma em nome da ciência – psicologia neste caso – não está comprovado por nenhum estudo sério e não deixa de ser mera especulação, muito marcado pela ideologia de quem a sustenta. Em sociedades como a nossa, a família não é o único lugar de socialização das crianças. A influencia da escola, dos meios de comunicação – e de maneira mais ostensiva a TV -, as leituras, o cinema é cada vez mais crescente na educação de meninos e meninas. Tem que se levar em conta que, quando se fala em figura paterna como modelo de identificação, não se está falando necessariamente do pai biológico, mas de figuras masculinas (avós, tios, amigos dos pais) que podem representar para a criança pontos de referência na construção de sua personalidade. Se o que preocupa a alguns psicólogos é a variedade de pontos de referência, de modelos de identificação, parece claro que uma filha ou filho de mães lésbicas vão tê-los de qualquer maneira, muito próximos.
Com tudo isso não queremos dizer que para uma criança seja indiferente nascer em um lar formado por duas lésbicas ou por um casal heterossexual. No primeiro caso, seguramente se sentirá diferente, fazendo parte de uma minoria. É previsível que possa sentir uma certa pressão social e uma desqualificaçã o por parte de pessoas preconceituosas perante o lesbianismo. Porém sua diferença não tem porque ser pior vivida do que muitas outras diferenças que se dão em nossas sociedades; por exemplo: minorias negras em regiões de população branca ou minorias católicas em sociedades majoritariamente protestantes.
O que não cabe a menor dúvida é de que os filhos ou filhas de casais de lésbicas contam com um fator fundamental para seu desenvolvimento pessoal: nascer sendo desejadas. O carinho e a ternura que os cercará constitui um elemento importantíssimo para que possam enfrentar as pressões de uma sociedade majoritariamente heterossexual em que – apesar dos avanços hoje em dia registrados – lésbicas e gays continuam sendo discriminadas e mal vistos.

9 Comments:

Anonymous Thaise said...

Eu e minha parceira temos um relacionemento estável a 4 anos e 3 meses e moramos juntas em casa própria adquirida por nós a 2 anos e 6 meses. Em maio deste ano decidimos por engravidar sendo eu a escolhida para isso, consegui engravidar no mesmo mês através de uma relação com um homem escolhido por nós.Estou gravida de 19 semanas e 6 dias e estamos muito felizes como nossa filha que esta pra chegar, mas gostariamos de registra-la como filha das duas, se for preciso entra na justiça entraremos para ter os mesmos direitos sobre ela ja que temos o mesmo amor.

19/9/07 10:57 AM  
Blogger ~Maíra~ said...

Achei fantástico esse texto, quero postá-lo no meu blog, claro dando os devidos créditos, espero que ñ se importem!

Beijos

18/10/07 12:12 PM  
Anonymous Anônimo said...

E eu estou no dilema. Já sou pai. Tenho filhos. E ha um casal de lésbicas, com uma relaçao estavel e estruturada que desejam um filho. E em principio eu serei o dador.

4/12/07 12:24 AM  
Anonymous Anônimo said...

Eu tenho uma relação estável e maravilhosa há 6 anos com uma mulher,construímos uma vida juntas,temos casa própria, carro e boa situação financeira, queremos agora ter um babymas estamos com grande dilema pois queríamos registrar a criança em nome das duas,´mas não sabemos como fazer isso. Será que é possível?Mesmo q tenhamos que entrar na justiça.

19/1/08 5:49 PM  
Anonymous Anônimo said...

Achei td a atitude de vcs,mta coragem... estou na luta p/ isso tbm.. sorte a todas nós!!

Bjus

9/10/08 11:49 PM  
Blogger ivalda said...

Uma perguntinha simples;
Minha namorada está gravida, e estamos pensando em morar juntas só que ela está com medo de perder a guarda da criança por estar morando com uma mulher, ela está no quarto mês da gestação e já amo essa criança como se fosse minha, como vou resolver isso? Realmente podemos perder a guarda da criança?

15/1/09 3:20 PM  
Anonymous Anônimo said...

eu tbem estou casada a dois anos , e somos mto felizes eu tenho uma filha linda de seis anos e minha mulher tem uma menininha de quatro anos mais ela gotaria de ter outro bebe e nos famos optar pela fertilização mais nos gostariamos de registrar a criança no nome das duas ... estamos na luta com vcs garotas

13/1/12 9:49 PM  
Anonymous Anônimo said...

Eu e minha parceira queremos muito ter um bêbê,será que vamos poder registra-lo no nome das duas?

3/7/12 3:31 PM  
Anonymous Anônimo said...

oi tenho o sonho de ser pai,queria achar moça ou moças ou casai heteros q topassem ins artificial,eu reconheceria o papel de todos nós como pais da criança,porém a moça teria q morar na regiao d piracaia sp!obrigado! euqueroserpai@gmail.com

9/12/12 5:31 PM  

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