22 Maio 2007

Parceiras querem adotar menino em Acaraú

As parceiras homossexuais cuidam da criança desde seu nascimento, há 1 ano e 7 meses, em Acaraú

Paralelo às discussões sobre a adoção de crianças por homossexuais no Brasil, o Poder Judiciário nas regiões Sul e Sudeste já concedeu esse direito a alguns casais. No Ceará, entretanto, ainda não há registros dessa conquista. Hoje, duas parceiras homossexuais recorrerão à Justiça na tentativa de mudar essa realidade no Estado. Elas querem legalizar a adoção de um menino de 1 ano e 7 meses, com quem convivem desde seu nascimento.

Até os defensores públicos Adriano Leitinho Campos e Michele Cândido Camelo entrarem, oficialmente, com a ação no Fórum do Município de Acaraú, onde as duas moram, as mulheres preferem resguardar suas identidades. Uma delas já possui a guarda judicial do menino, mas o desejo de ambas é registrar na certidão da criança os nomes das duas mães.

De acordo com Adriano Leitinho, a criança foi abandonada pelos pais biológicos em um matagal, ainda recém-nascida. Diante das circunstâncias, o Conselho Tutelar de Acaraú entregou a criança, por meio de um termo de responsabilidade, a uma das mulheres na época. Juntas, ressalta o defensor, elas construíram uma entidade familiar. "A criança nasceu com hidrocefalia e elas acompanham, até hoje, todo o tratamento. A luta delas é em prol do futuro do menino".

A tese dos defensores públicos se baseia nos princípios da dignidade da pessoa humana, igualdade e não-discriminação. "Esperamos que o juiz analise este caso de forma totalmente imparcial e desprovido de preconceito, com base na nossa Constituição Federal", destaca.

O defensor público relembra casos históricos registrados no País. Como em julho de 2006, quando o juiz José Antônio Daltoér, da 2ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre (RS), autorizou a adoção de uma criança de quatro anos por um casal de mulheres.

Os dois defensores públicos engajados nessa causa garantem que, se necessário, recorrerão ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Os operadores do Direito precisam fazer uma adequação temporal diante da evolução da sociedade", defende Adriano Leitinho.

Emanuela França
Repórter

Mais informações:
Defensoria Pública do Ceará
Rua Caio Cid, 100
Luciano Cavalcante
(85) 3101.3419
www.defensoriapublica.ce.gov.br

ENTREVISTA - OLÍVIA PINTO*
Defensores públicos estão abrindo portas e fazendo jurisprudência

A adoção de crianças por casais homossexuais ainda não é garantida por lei no Brasil, mas já foram registradas sentenças a favor dessa causa. Em que princípios constitucionais elas se baseiam?

Sob o ponto de vista estritamente legal, não há amparo na legislação sobre o assunto. Entretanto, sob o ponto de vista principiológico, a Constituição Federal resguarda a possibilidade da adoção por casais homossexuais quando se observam os princípios da dignidade da pessoa humana, igualdade, não-discriminação e pluralismo.

O Nordeste está atrasado em relação a outras regiões do País, como Sul e Sudeste, onde já foram concedidos esse direito a alguns casais?

De fato, o Ceará e todo o Nordeste são pobres em decisões jurisprudenciais sobre o presente assunto. Principalmente pelo fato também de se evitar ao máximo lides com tamanho desgaste pessoal e familiar.

Quando a Justiça concede o direito à adoção da criança ela também reconhece a união do casal?

A discussão em torno do tema adoção por homossexuais traz, conseqüentemente, a discussão acerca do reconhecimento da união homoafetiva como entidade familiar. Contudo, uma decisão dentro de uma ação que pleiteie a adoção por um casal homossexual não faz coisa julgada sobre o reconhecimento da união homoafetiva, ainda que a Justiça decida pela procedência do pedido de adoção.

O preconceito ainda é a principal barreira?

Tenho que reconhecer que o preconceito social é manifesto, mas acredito que bem inferior à antigamente. Hoje, discutimos o assunto, defendemos em público, pessoas lutam pelos seus direitos. Isso é democracia. Devemos ser otimistas nesse sentido. Acho genial a iniciativa dos defensores públicos nesse sentido. Eles estão abrindo portas e fazendo jurisprudência.

* Presidente da Comissão de Estudos de Direito da Família da Ordem dos Advogados do Brasil-Secção Ceará (OAB-CE) e especialista em Direito Civil

Fonte:Jornal Diário do Nordeste

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DOCUMENTÁRIO DE LÉSBICAS NEGRAS SELECIONADO PELO FEMINA FESTIVAL 2007

MEU MUNDO É ESSE
 
Por Irina Bacci
 
O Documentário "Meu Mundo é esse", produzido pelo Grupo Minas de Cor de São Paulo, sob a direção e roteiro de Marcia Cabral foi selecionado entre os 20 melhores documentários de competição brasileira pelo FEMINA - Festival Internacional de Cinema Feminino,  numa prévia que contavam com mais de 800 documentários inscritos. O vídeo que já foi lançado em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, deve também ser lançado na próxima semana em Goiânia. Meu Mundo é esse conta a história de lésbicas negras no Brasil multicolorido e multifacetado, onde elas relatam com suas próprias vozes e olhares, suas vidas e suas histórias. " O vídeo tem o objetivo de formar uma cultura de lésbicas negras no Brasil e espero que a partir dele, outras mulheres possam produzir mais história, publicações e outros vídeos", relata Marcia Cabral que ainda conclui, " estar entre os 20 documentários selecionados para o Femina Fest foi uma grande surpresa, mas também um reconhecimento as lésbicas negras brasileiras".
O Femina – Festival Internacional de Cinema Feminino foi criado em 2004 com o objetivo de destacar o trabalho de mulheres no cenário brasileiro e mundial; além de incentivar o surgimento de novas diretoras. Desde sua primeira edição, ficou claro que além da exibição de filmes e vídeos, era importante transformar o festival num espaço de debate e reflexão, quee levantasse temas relevantes em diversas áreas da sociedade em torno das questões de gênero. Em 2007, o Femina chega a sua quarta edição trazendo como novidade uma Mostra Competitiva de Documentários Brasileiros, além de suas já tradicionais Mostras Competitivas Internacionais de Longas e Curtas-metragens, Sessão Homenagem e Mostra Retrospectiva de uma Personalidade Feminina do Cinema Brasileiro – esse ano, a diretora Ana Carolina, Programa Especial de Festival Feminino Estrangeiro Convidado –, La Mujer y el Cine da Argentina, Fórum de Debates e Sessões Especiais Temáticas como Masculino-Feminino, Eu gosto é de Mulher, Programa Infantil, entre outras.
O Festival acontece de 19 a 24 de junho, no espaço Caixa Cultural, na cidade do Rio de Janeiro, que fica na rua Almirante Barroso, 25, no centro do Rio e sua entrada é franca.
 
Sugestões de entrevista:
Márcia Cabral 8614.6826
 

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21 Maio 2007

Governo Federal declara apoio à aprovação do PL que criminaliza a homofobia

17.05.07 Governo Federal declara apoio à aprovação do PL que criminaliza a homofobia
 
BRASÍLIA (PR) – Hoje, data em que se comemora o Dia Mundial de Combate à Homofobia, o Governo Federal, representado pelos ministros dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, da Justiça, Tarso Genro, do Turismo, Marta Suplicy, da Saúde (interina), Márcia Bassit, e pelo secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio Mamberti, declarou apoio à aprovação do PLC 122/06, que define como crime a discriminação por orientação sexual. A posição oficial do governo foi informada aos representantes do movimento GLBT, de vários estados, em audiência realizada no Ministério da Justiça.
O presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, falou pelo movimento e destacou a importância da aprovação do projeto para o Brasil avançar na consolidação do estado democrático de direito. Ele apresentou dados coletados na última parada GLBT, realizada no ano passado, para comprovar que este público é vítima constante de discriminação e violência devido a sua orientação sexual. Segundo Nascimento, 64,8% dos entrevistados na parada afirmaram já ter sofrido discriminação por conta de sua orientação sexual. Deste percentual, 60% foi vítima de agressão física. "A aprovação desta lei é importante porque não existe proteção específica para este tipo de discriminação na legislação federal, o que significa que 10% da população brasileira está à margem do marco legal", afirmou. 
Presentes na audiência, a coordenadora da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT, deputada Cida Diogo (PT/RJ), e a relatora do PLC122/2006, senadora Fátima Cleide (PT/RO), afirmaram que a aprovação do PL é um passo fundamental para o país  dar um basta à discriminação e que no Brasil, para se mudar uma cultura, precisa-se de ter punição estabelecida, como prevê o projeto que atualmente tramita na comissão de direitos humanos do Senado Federal. Ele foi aprovado na Câmara dos Deputados (onde tramitou como PL 5003/01), em novembro do ano passado. Para Marta Suplicy, este é um tema onde há muita hipocrisia, em especial no poder legislativo, onde ninguém se declara contra o projeto, mas também não vota.
Sergio Mamberti, pelo Ministério da Cultura, e Marcia Bassit, pela Saúde, afirmaram que as políticas públicas nestes dois ministérios já trabalham com o enfoque da diversidade sexual e também se orientam pelo Programa Brasil sem Homofobia, lançado em 2004 pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) prevendo ações articuladas de todas as áreas do governo federal para atender ao público GLBT. Para o ministro Paulo Vannuchi, a reunião deixou bem claro que o Governo Federal é favorável à aprovação do projeto. "O que precisa ser feito agora é traçar uma estratégia política para sua aprovação". O ministro Tarso Genro colocou sua equipe para assuntos legislativos à disposição do movimento GLBT para ajudar na elaboração de estratégias para sua tramitação no Senado. 
O Dia Mundial de Combate à Homofobia foi instituído em 17 de maio de 1993, quando  a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do Código Internacional de doenças, o CID 10. Essa data tornou-se um marco e vem sendo comemorada pelo segmento GLBT em todos os países.
 

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